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28
fev
2018

Um modelo missionário que precisa de reflexão!

POR Missão Esperança e Fé
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Um modelo missionário que precisa de reflexão!

Há muita coisa sendo dita sobre missões, há muita gente “envolvida” com a missão, outros apenas tentando fazer missões! Explico, missão é o que Deus está fazendo no mundo, é o seu plano em curso na história da humanidade, é a Missio Dei, isto é, a Missão de Deus. Nossa preocupação deveria ser se estamos nessa missão que é de Deus! E missões? Missões são nossas ações que realizamos através, por meio e com a igreja. Podemos ter tantas programações e eventos e chamar isso de fazer missões. Contudo, sem levar em conta o “outro” o qual procuramos alcançar; é exatamente sobre isso que quero falar, nesse texto.

Nosso modelo missionário deve responder a algumas indagações: O que significa ser um missionário? Quem são os vocacionados na igreja e o que eles foram chamados a realizar nessa missão? Nossa maneira de “ser igreja” é uma resposta aos dilemas do povo no qual estamos inseridos? Será que nossa “apresentação” do evangelho é compreensível e assimilável àqueles a quem convivemos-pregamos? Estamos ouvindo o “outro” a quem nos dirigimos, ou apenas apresentamos nossa solução para seus problemas?

Primeiro, nós reproduzimos um modelo isolacionista, no qual não “nos misturamos” com a comunidade na qual servimos. Nos sentimos melhores, e deixamos isso claro, senão por palavras, mas certamente por atitudes. Nossa vida na comunidade muitas vezes se limita a redoma da “ vida eclesiástica”, não ousamos “pisar” fora desse paradigma, pois tememos nos corromper, e perder nossos valores cristãos. Pregando e vivendo nessa perspectiva transformamos nossa comunidade evangélica num “gueto fechado”, com características próprias, linguagem própria e com dispositivos de defesa, que mais repele àqueles a quem queremos trazer para perto, senão para dentro.

Outro ponto que precisamos pensar sobre sob a luz das Sagradas Escrituras, é a questão da vocação. Esse tema tem me “chamado” a atenção. Acredito que boa parte da deficiência que hora enfrentamos e vivenciamos tem forte ligação com a maneira como endentemos e praticamos nossa eclesiologia e nossa concepção de vocação. Conversando outro dia com uma psicopedagoga de nossa igreja em Caicó, fiquei maravilhado como Deus trabalha na vida daqueles que entendem (mesmo que as vezes não com muita clareza), ela me contava sobre seu novo desafio no trabalho em um determinado bairro daquela cidade, como ela lida com adolescentes que vivem em meio a pobreza e uma miséria ética e social. Como ela preparou uma sala com carinho, decorou, ornamentou para receber essas crianças e ouvir suas histórias, e ela apresentar o amor do Pai a elas, que na verdade não reconhecem nem a figura paterna, pela ausência da mesma.

E essas próprias crianças e adolescentes testificam que se sentem bem naquela sala, que há algo diferente ali, eu expliquei para ela que é a presença de Deus, que ela manifesta naquele lugar! Isso é missão! Para quem passa, para quem ver não é uma atividade elaborada, não é uma programação da igreja, mas é a igreja viva atuando através de seus membros, de pessoas anônimas, que se deixam conduzir por Deus. Eu disse para ela você é tão missionária quanto alguém que foi enviado a algum lugar, pois Deus a colocou ali para fazer a diferença, para representá-lo através de seu trabalho que glorifica a Cristo sendo feito com amor e pelo amor aquelas pessoas.

Acredito que esse relato acima responde em parte o que significa ser vocacionado e o que os estes foram chamados a fazer? Precisamos abrir nossa visão, para entender que vocacionados não é somente uma classe privilegiada, mas que todos podem e devem glorificar a Cristo onde estão, com os talentos e dons que Deus lhes concedeu.

Nossa maneira de ser igreja corresponde à realidade onde estamos? Ou estamos descontextualizados? Nossa mensagem alcança a cosmovisão daqueles a quem pregamos? Geralmente tenho observado (aqui no contexto do sertão do RN), que os missionários que tem conseguido obter mais êxito no desempenho de suas atividades missionárias, são exatamente aqueles que melhor se relacionam com o pessoal da comunidade! Isolar-se para manter um padrão de “santo”, não tem sido o melhor método, a santidade evidencia-se precisamente nos relacionamentos, nas atitudes com o “outro”.

Por falar no “outro” quem é esse “outro”? Como ele se encontra? Será que ele pode perceber que a igreja se importa com ele? Ou nossa ação evangelizadora não nos permite o diálogo? As vezes as pessoas não aceitam o evangelho, porque primeiro a impressão que lhe foi repassada é o que o dono do evangelho só aceita pessoas “perfeitas”. O padrão é tão elevado que aqueles que querem se chegar, vir para perto as vezes não encontra acesso, nós em muitos momentos tornamos as boas novas de salvação em uma má notícia, apenas condenatória e não uma mensagem de reconciliação!

Para entender o “outro” precisamos caminhar com ele, nos assentar com ele, ouvi-lo antes de lhe dizer que nós já temos tudo “pronto”, temos o “pacote fechado” e que ele precisa apenas se submeter. Pregar o evangelho a distância distorce a comunicação, dá a ideia de que estamos num patamar mais elevado e que os demais estão abaixo, distantes do amor de Deus. Demonstramos uma superioridade e uma “pureza farisaica”, como os fariseus que reclamavam de Cristo que se assentava para comer com pecadores.

Outro ponto a ser lembrado é que já ouvi missionários chamando o “outro” de “endemoninhado”, “ filho do diabo” e etc; precisamos entender, que não podemos perceber o “outro” que se opõem a nós como nosso inimigo mortal, ele é o “outro” que não compreendeu o amor de Deus, por isso está em rebelião contra Deus e não somente contra nós, todavia nós temos o ministério da reconciliação! Há mais considerações, que provavelmente ficarão para um próximo texto.

Miss. Luciano Costa é casado com Jussária Costa, tem dois filhos: Lucas Ezequiel e Lêda Soares.

Atua com plantação e revitalização de igrejas no sertão do RN há dez anos.

Vice Coordenador da EMITES- Escola Missionária de Treinamento Estratégico para o Sertão.

Atualmente é pastor da Assembleia de Deus na cidade de São Fernando-RN (Sertão do Seridó)

Contato: e-mail: luckcosta1@hotmail.com Cel: (84) 9.9939-1042

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